terça-feira, 8 de maio de 2012

Sabes como é, pois a história não muda, é sempre igual. Olhas à volta e sentes-te sozinho, sozinho mas entre uma multidão que não se cala, onde cada pessoa tenta expressar uma opinião, ou então falam só por falar. Sorris quando alguém lança uma piada, mas ela não te interessa.Talvez nem a tenhas ouvido. Porque é assim. Desvalorizas tudo aquilo que toda a gente considera importante, e a tua atenção foca-se em pequenos sinais, em pequenos sorrisos e lágrimas que surgem silenciosamente. Gostas deles, porque eles não falam, não te incomodam, não te obrigam a rir, não te fazem chorar. Podes olhá-los eternamente se quiseres, porque eles não te perguntam porque o fazes. Mas és o único. Porque à tua volta, continuam as gargalhadas que aparecem, e por não serem naturais, destoam. De certeza que já tentaste falar, explicar, partilhar com alguém. E certamente que esse alguém esboçou um sorriso de incompreensão e mudou de assunto.
  Porque assusta. Essa multidão não passa de um bando de seres assustados e inseguros, que fogem de tudo aquilo que possa denunciar a sua fraqueza. E ao longo do tempo, esquecem, enlouquecem, mas calados, reprimidos e fogem, mas os pés não obedecem, e começa-se a desvanecer aquela pessoa que eles eram, e nasce mais um. Apenas mais um.
  No entanto, sozinho ou não, enquanto pertenceres a ti próprio, és livre. Não tens um padrão de comportamentos modelo. Ou talvez tenhas, mas não os conheces e por isso, não tens de os seguir. Podes sorrir em vez de falar, chorar em vez de justificar e caminhar, em vez de rastejar. Quando és livre, o corpo e a alma são leves, os teus passos silenciosos e tudo é mais claro, bonito e sereno. Se quiseres observar sem dizer uma palavra, podes. Podes fazer tudo aquilo que sentes que deves.

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