Sei o que sentes. Sei que agora a escuridão da noite é um refúgio, mas também um massacre. Reconheço essas lágrimas porque eu própria já as chorei É como estar preso num círculo, sem entrada nem saída. E dói muito. Sei porque já testemunhei essa dor. Lembraste-te de um único dia em que esta ferida não te tenha ardido? Eu também não.
Mas agora olha. Olha pela janela. O que vês? Vês o sol, que te veio resgatar das trevas da tua alma. Mas devo advertir-te: é bonito, mas não lhe toques. Queimar-te-á.
Todos os dias, melhores ou piores, o sol vai nascer, lá fora ao longe. E tu vais-te lembrar: nunca o mundo parou de girar por nada. Não será por ti que o tempo parará.
Vais ter de aprender a lidar com o amanhecer. Quer ele represente o bom, ou o mau. Ele vai estar lá sempre.
Nos dias em que te sentires mais perdido, olha pela janela e sorri ao sol. É a prova mais concreta e bonita de que sobreviveste a mais uma noite de medo e escuridão, e que ainda há mais um dia para (tentares) consertar os danos cometidos.
