quinta-feira, 12 de abril de 2012

Palavras ditas

Tenho textos escritos para ti. Não os publiquei. Escrevi-os e depois abandonei-os no grande baú dos rascunhos, onde estão todas as palavras que eu quero dizer, mas que por motivos de falta de coragem, indecisão ou tempo, nunca viram a luz do dia.
Quanto aos teus, não sei se algum dia os vou publicar. É como se olhasse para eles, os lesse, e depois de os comparar com os meus sentimentos, aqueles que estão vivos e fervilham dentro de mim, achasse que não representam nem em metade a sua verdadeira intensidade.
Mas, meu deus, quantas vezes eu ignorei as tuas atitudes, as palavras que me dirigiste. Nenhuma delas foi de apoio. Deitavas-me abaixo, olhavas-me com aquele olhar frio que tantas vezes me petrificou. Eu falava contigo e tu não me ouvias. Era como gritar no silêncio. Eu corria mas tu nunca me vias. Era como correr no vazio. Eu olhava-te, os teus olhos dirigiam-se para as minhas lágrimas, mas era um olhar vazio. Tu nunca as vias.
Mas eu, eu nunca desistia. Pensava sempre que apesar de tudo, continuaria contigo, pois eras minha amiga. Até que um dia, enquanto subia a escadaria que me levava ao sítio onde te encontravas, deu-me uma vontade incontrolável de dar meia-volta e vir-me embora. Simplesmente nada, absolutamente nada me ligava a ti naquele momento. Mas controlei uma vontade incontrolável porque pensei que poderias ficar preocupada se eu nunca mais aparecesse.  Forcei-me e lutei contra as minhas forças para ir ter contigo.
E agora pergunto-me: valeu a pena? Não, a resposta é não. Não me viste chegar, não me falaste, não me olhaste, continuaste a fazer o que sempre fizeste comigo, ou seja, nada.
E eu esperei, esperei, até que abri os olhos, e vi um mundo à minha frente sem ti, onde nunca tinha estado. E agora, deixei-te e mergulhei nele.
Podes negar, ou talvez pensar que exagero, mas a verdade, e tu sabe-la tão bem quanto eu que isto que se passa já deixou de fazer sentido há muito tempo.
Lamento se este texto te magoou, a sério que sim, mas estas palavras eram demasiado grandes e irrequietas para serem guardadas no baú dos rascunhos.  Só espero que, ao leres este texto, tenhas sentido a emoção que eu transmiti  a cada palavra que o constitui.

Sem comentários:

Enviar um comentário