Criou-se um conjunto de sentimentos tão intensos e tão dispersos que quando escrevo nada sai, e esses textos acabam todos no lixo. E quando choro, não há motivo, não há motivo por serem tantos que se misturam e me confundem. E assim, aprendi a fechar-me dentro de mim, a pensar e a sentir no silêncio, a rir e a chorar secretamente. Fecho-me dentro dessa muralha com o objectivo de me proteger, mas tudo o que eu consigo é uma dor muito mais forte cada vez que sou forçada a sair desse meu escudo de protecção para viver no mundo real.
E vejo ruínas, de momentos que outrora foram felizes, vejo os pedaços estilhaçados das pessoas que faziam parte da minha vida, e que dia após dia se afastam de mim. Leio e ouço desabafos e entendo que por vezes não sou a melhor pessoa, que não correspondo às expectativas. Que por vezes não demonstro o que sinto simplesmente por não ser capaz de o fazer. Apercebo-me das desilusões das pessoas que eu amava, mas também dou conta de outra coisa. Tudo anda à volta do que cada um quer e precisa de mim. Ninguém vê que talvez, eu faça o melhor que posso, o melhor que consigo neste momento e que mais não posso fazer. A cada dia que passa, fazem-me sentir uma pessoa pior, que não se preocupa com nada nem como ninguém. Quem o faz são todas aquelas pessoas que se dizem minhas amigas, que dizem que posso chorar no seu ombro, que lhes posso confidenciar tudo, mas que me calam tão rapidamente como me rebaixam. Na verdade, nunca nenhuma delas me olhou nos olhos e perguntou «como te sentes?».
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