E de repente, vês o mundo em tons de cinzento e preto, nuvens a caminharem para ti. Vês todos os que amas longe, todos os que não queres na tua vida cada vez mais perto.
Estás sozinho. Encontras alguém e falas-lhe durante vinte minutos, fruto de um mero acaso, uma partida do destino.
Não o conheces. Mas na tua cabeça, grandes histórias são criadas, em que tu e essa pessoa são os protagonistas. Vês cenas irreais, mas que te parecem concretizáveis no futuro.
E depois despedem-se. E tu sonhas com essa pessoa. Mas ela já foi, e não volta.
Procuras um fundamento que possas criar dentro da tua cabeça que justifique um novo encontro com ela.
Os dias passam. Semanas e depois meses. Não houve mais palavras entre os dois. E tu esperas.
E nessa noite, antes de adormecer, uma lágrima escorre-te pela cara. Não por teres saudades dessa pessoa. Mas sim por te aperceberes da ingenuidade que ainda há em ti. Pelos sonhos inconcretizáveis, pelas falsas esperanças, pelas mágoas e desilusões que provocas a ti mesmo.
Pensas para ti mesmo que dali em diante serás mais contido nas emoções, mas no dia seguinte, encontras essa pessoa e o teu coração bate, descompassado, outra vez.

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