terça-feira, 26 de junho de 2012


E ali estávamos, as três. Juntas mas caladas. Cada uma de nós encontrara um refúgio em si própria. O calor abrasador que sentíamos tirara-nos as forças. Já nada restava por dizer. Ou pelo menos, nada que valesse a pena. As cortinas, fechadas o mais possível, proibiam a entrada de luz, e nós permanecíamos sob a escuridão.
Mas dentro de nós, abriam-se portas, lembravam-se emoções e recordavam-se sentimentos. Ela começou a tocar lentamente, e as notas de música saiam sob os seus dedos. Fechou os olhos, mas os dedos não paravam.
 Olhei para o lado. A outra, tal como eu, olhava o infinito através dos pensamentos. A música aumentara de volume. Subitamente, uma enorme vontade de chorar atingiu-me. A melodia percorria-me o corpo e o coração e provocou-me, simultaneamente calma e revolta. 
Debati-me durante uns momentos, mas por fim deixei as lágrimas escorrerem. Elas nunca as chegaram a ver pois a escuridão permanecia, cada vez mais intensa.
Eu conhecia os medos delas, os receios, as paixões, as atitudes, as maneiras de pensar e de ser, mas apercebi-me de que no fundo, ainda éramos estranhas umas às outras. Na verdade, eu não sabia mesmo quem elas eram. Estava ali sentada porque queria acreditar que sabia.
E era tão triste. A música entristeceu-me. O calor não me deixava respirar. Tentava ocultar as lágrimas e ver através do escuro. Mas não consegui.
Continuava a identificar tristeza e revolta naquela sala. Parte de mim queria parar, gritar-lhe que parasse de tocar, mostrar-lhes as lágrimas e tudo o que me ia na alma. Mas a outra parte, a parte que manda em mim disse-me para ficar, permanecer, ouvir e esquecer, fingir que nada acontecera.
Mas eu nunca o vou fazer. Realmente esquecer. Agora desejo ouvir de novo a música e recordar aquele momento, que não foi há tanto tempo assim.Queria perceber o que foi realmente aquilo, gostava de perceber se significou algo mais do que aquilo que eu julgava.
Nessa altura, vi tudo turvo, e o silêncio, aquele que existia por baixo da música permaneceu sempre, e aos poucos ia acabando com as nossas esperanças.
Tudo o que tínhamos estava ali, demasiado exposto, mas também demasiado escondido. Todas as más memórias vieram à tona. Tudo aquilo que eu evitava a todo o custo, estava ali, toda a verdade, nua e crua. Sem sombreados.

10 comentários:

  1. Oi inês!
    Está mesmo giro!
    Bjs, Joana e Rita, ihi

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  2. Isto está simplesmente fantástico, eu adorei! Tens imenso jeito para a escrita, não queres participar no desafio do meu blog? Pensa nisso... Sigo-te.

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  3. Oh, obrigada querida *.*
    adoro a forma como escreves :O vou seguir-te também (:

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  4. Oh, muito obrigada. Espero que continues comigo ((:

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  5. Oi! Obrigada pelo comentario! Também tive um espetaculo hoje e outro amanhã. Que espetaculo vais ter?

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  6. Estou numa escola de música com dança que faz espetáculo final, no qual eu danço contemporâneo. Os espetáculos são sempre dois, à sexta e ao sábado. Parte uma perna no espetáculo de ballet!
    Bjs, Joana

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