Conhece-la?
Conheces sim. Chamaste-lhe feia há dois meses. E disseste-lhe que era gorda há três semanas. Comentaste com todos que ela era insegura. Feia e insegura. Gorda e insegura.
E tu? Sabes quem ela é?
Sabes sim. É aquela a quem disseste «não és gorda, és forte». Já sabes quem é?
E tu? Lembras-te do seu nome?
Acho que te lembras. Disseste-lhe para desistir dos seus sonhos porque era demasiado gorda. «Cheínha».
E tu? Acho que sabes.
Não te lembras? A sério? Tu tens pena dela. Achas que ela é uma inválida. Mas afinal, a culpa não é tua, não é? Quem é que a manda não ser perfeita?
Ela não come.Passou a última semana sem comer. Chorava, isso sim. Mas não comia. Vocês, enquanto assistiam a isto, chamaram-lhe parva, estúpida. Disseram que ela se estava a armar. A armar?! Disseram«pára com isso, deixa de ser idiota». Mas ela não é idiota. Vocês são. Vocês é que o são. Burras, estúpidas, parvas. Sim, é mesmo assim. Sem eufemismos. Enchem-se e rodeiam-se de frases feitas.«Aceita os outros»; «não julgues». E de que serve? São burras de qualquer forma. Com ou sem frases feitas. É muito fácil rir e gozar não é? No vosso mundo perfeito e falso, em que são alvejadas com mil e um «és lindaaa», «és uma princesaa» ou «amo-te lindaaaa». Vocês não sabem nada. Não sabem nada. São bebés. Bebés muito ignorantes. Julgam que vivem num pedestal acima de todos os outros. E dizem« o meu maior defeito é confiar em toda a gente». Não, o teu maior defeito é seres estúpida. Superficial. Burra.
Sem meias medidas. Eu odeio-vos. Eu odeio-vos a todas. Todas vocês. Todas as barbies, todas as estúpidas que vocês são. Um dia, quando vos partir a cúpula de vidro dentro da qual vocês vivem, vou me rir quando atirar os pedacinhos de vidro para cima de vocês, e depois, depois vomito-vos em cima todas as frases e palavras que me disseram.
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