E só quero fechar os olhos agora. Esquecer tudo, esquecer todos, deixá-los para trás. Quem me dera ainda ter lágrimas por chorar, para ter algo que, apesar de não resolver, me ajudasse a expressar este sentimento. A cabeça está dorida, por uma dor já física, daquelas que não têm uma fonte, daquelas que têm milhares, e todas, dispersas e difusas, embrulham-se umas nas outras tornando-se imperceptíveis. As palavras, assim como as lágrimas, estão presas. As frases são minúsculas, quando comparadas com a realidade, e o sentimento de impotência é tal, que é como se já nada me segurasse. Como se, a qualquer momento, me pudessem tirar o chão de debaixo dos pés, para eu cair.
E há demasiada gente, demasiado barulho, demasiado silêncio. Ruído, quando toda a gente fala de tudo, sem dizer nada. Corações, que batem, vazios, que batem só por bater. Sem que nenhum sonho ou ambição as agarre, as pessoas continuam, a andar sem rumo, perdidas, porque nada as guia.
E eu não costumava viver assim. Os meus sonhos habitavam sempre as nuvens mais altas, e eu vivia, tentado lá chegar.
Agora, sigo como eles, aquelas almas ocas, que nada querem, nem nada têm. Vejo a chuva, que cai, sem parar, e quando o vento sopra, a tristeza é tanta, que me atravessa, de um lado ao outro, como se nada houvesse dentro de mim.
ines, está lindíssimo!
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