A porta fechou-se, e de um momento para o outro, a escuridão abateu-se sobre mim. Chegara o fim. Do lado de lá da porta, ficou tudo. Vi, com os olhos ardentes, os meus sonhos, ainda pequeninos e frágeis, a serem esmagados e desapareceram no ar. Tudo aquilo que eu vejo desde que nasci foi-me arrancado brutalmente e comprimido até à exaustão.
Já não havia nada, e à medida que o tempo ia passando, a escuridão aumentava. O silêncio era tanto, que provocara já uma dor que me perfurava a cabeça , de um lado ao outro. Fiquei com medo, e tornei o ardor em lágrimas amargas, que não consegui soltar.
Por baixo de mim, o chão deslizava devagar. Os segundos eram marcados por um som seco que latejava na minha mente. E eu aproximava-me, aos poucos da queda.
Os meus pés não se mexeram, e da minha boca não saiu nenhum grito. O medo petrificara-me. Tinha o coração gelado, e as mãos tão frias, que, aos poucos, deixei de as sentir.
Já não me restava nada. Agora, o meu corpo estava lá, o olhar frio e vago, fixado na porta fechada. Mas nele, já nada restava de mim. Nem ali, nem em lado nenhum.
O tempo parou, o som dos ponteiros abrandou até cessar, e de repente, quando o chão desapareceu por baixo dos meus pés, caí no vazio, e tudo morreu.
ainda bem, ihi. devias escrever um livro sobre drama, as tuas descrições deste tipo de sensações são tão premonoriazadas que quase que me fazem sentir o que escreves-te
ResponderEliminar