segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Querido avô

Desde pequena que vejo as pessoas que te amam chorarem por ti. Isso deixava-me aflita e desnorteada. Só há pouco tempo descobri que essas lágrimas não são de tristeza, e que atrás da grande saudade que espelham, são de felicidade.
Quantas vezes já me perguntei como seria a minha vida se estivesses aqui, se me pudesses abraçar, falar comigo, fazer-me rir e consolar-me nos dias mais difíceis. Apesar de isso nunca ter acontecido, nem nunca poder acontecer, já aprendi muitas coisas contigo. Quando estou no pedaço de terra que é meu, que é teu, que é nosso, sinto a tua alma, vejo o teu sorriso, imagino os teus passos, sei que já pisaste aquela terra.
Apesar de nunca me teres pegado ao colo, sei que trabalhaste toda a tua vida para que nós fôssemos felizes, que te sacrificaste para que as próximas gerações da nossa família tivessem mais do que tu tiveste.
Não sei onde estás ao certo, mas quando olho para o céu, vejo o teu sorriso, sorriso que nunca conheci pessoalmente, mas que já me foi descrito muitas vezes.
És tu, eu sei que és tu que me impede de desistir, que me ajuda nos momentos difíceis, e em que eu sinto uma mão erguer-me, eu sei que é a tua.
Prometo que vou tomar conta da nossa família, de todos aqueles que te amam, que tu amas. Vou cuidar da avó, da tua filha, que é minha mãe, e que eu sei que é a pessoa mais importante para ti. Vou amar sempre o meu irmão, como tu amaste os teus, e vou proteger aquele bocadinho de chão que é e sempre será nosso, que tu tanto estimas.
Por último, prometo que tu nunca vais morrer, para isso, era preciso que fosses esquecido, mas deixaste cá muita gente, e em cada coração tu acendeste uma luz, que nunca se vai apagar, aconteça o que acontecer.
Ah, só mais uma coisa... Eu amo-te muito.

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