Dou por mim a pensar:- O que é que eu estou aqui a fazer?
Porque é que perco tempo a fazer coisas que não quero fazer, na companhia de quem não quero estar, onde não estou de livre vontade? Porque é que me pedem para fazer coisas quando eu já nem aguento o que tenho.
Conheço-me o suficiente para saber que não posso evoluir em algo que não gosto. E aquele não é o meu lugar.
Dei por mim com as pernas a tremer, a cabeça descaída, e os pés doridos. O cansaço que pesa sobre mim provém de coisas que eu nem gosto de fazer.
Nesse tempo que perco, podia dedicar-me ao que é realmente importante para mim. O que é que me impede de sair?Tudo, todos.
Tento-me convencer a mim própria que sou mais forte do que esses impedimentos, que posso desistir a qualquer momento.
Mas não sou, não posso de maneira nenhuma. Sinto muita pressão, preciso de tempo, tempo para pensar onde faço parte.
E sinto inveja, preconceito, olhares de pessoas que duvidam de mim. Sei que muitas me odeiam, que desejam que eu me vá embora, para poderem recuperar o seu lugar naquele sítio. Mas acontece que esse sítio é o único do qual, apesar das lágrimas, da frustração e de todo o esforço, eu tenho a certeza que nunca vou sair.
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