domingo, 21 de julho de 2013
Mas a noite deteve-se num sopro e parou. Ficou ali, dividindo o céu em duas partes, uma escura como breu, e outra onde o sol se despedia.
Desde muito nova que eu apanhara o hábito de ali me sentar, todas as tardes de verão. Como quem vai à missa aos domingos, aquele era o meu altar.
Era uma planície coberta por searas douradas, dançando , à conversa com o vento. O sol demorava-se por ali, e contemplava os pássaros que esvoaçavam, tão perto, mas tão longe de casa.
Ao fundo, as pequenas casas caiadas de branco choravam as memórias que guardavam, e nem forças tinham para afugentar os lagartos que subiam até ao alto das suas paredes.
Eu sabia, pelo que me haviam contado, que nem sempre fora assim.
Nem sempre a lua estivera de luto, nem as telhas caíam e estilhaçavam-se, sem terem ninguém por perto que lhes pegasse.
Dantes, o poço não havia secado e cedido aos caprichos do sol, que por ali reinava. Cheio de água fresca e pura, daquela que não há em mais lado nenhum, era o coração das vidas que por ali habitavam, sobre os pés descalços de vontade e doridos de dever.
Aquele monte pequeno, coberto por uma luz de mel, perdido entre as colinas, tornou-se o meu refúgio.
Até hoje, o único sítio que dava alento e fé às minhas orações.
Porque lá ao fundo, sempre soava a sua voz, e por sabê-la sua, eu adormecia em paz.
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Além da sensação de paz e introspeção que o espaço transmite o texto pinta-o descrevendo-o maravilhosamente.
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