Um dia, ao caminhar no corredor, algo me fará parar. Irei aproximar-me do espelho e contemplar a imagem que ele me mostra. Vou deixar de ouvir as gotas de chuva cair na estrada, e todos os ruídos se tornarão silenciosos. Os meus olhos vão continuar à procura da rapariga que costumavam ver, mas é claro que não a vão encontrar. Escondida por baixo daquelas que serão as minhas rugas, ela debate-se com todo o passado que carrega aos ombros. Na sua cabeça, passam as imagens de uma vida. Vou recordar com ela cada dia que passei, talvez com um maior ênfase àqueles em que nada acontecera. Era nesses que a velhice surgia, camuflada de brisa, de manhã, com o nevoeiro, e me deixava à noite, deixando-me sempre um grãozinho de si. Vou pensar em todos os anos que vivi, e tudo o que deixei por fazer. O tempo perdido, e o mal aproveitado. Vou olhar de novo para a rapariga cansada e já velhinha e vou chorar durante muito tempo. Vou-me tornar prisioneira das minhas lágrimas e sentir a falta daquela menina que sorria, e que era apenas uma criança. Tentarei abraçar a imagem do espelho com os braços, numa tentativa desesperada de fazer parar o tempo. Mas ela vai cair, estilhaçando-se em mil pedaços que não se vêem, mas que me cortam por dentro. Mais tarde, quando as lágrimas secarem, vou-me sentar no chão de pedra, derrotada, e vou esperar que a chuva pare de cair.
sábado, 14 de julho de 2012
Um dia, ao caminhar no corredor, algo me fará parar. Irei aproximar-me do espelho e contemplar a imagem que ele me mostra. Vou deixar de ouvir as gotas de chuva cair na estrada, e todos os ruídos se tornarão silenciosos. Os meus olhos vão continuar à procura da rapariga que costumavam ver, mas é claro que não a vão encontrar. Escondida por baixo daquelas que serão as minhas rugas, ela debate-se com todo o passado que carrega aos ombros. Na sua cabeça, passam as imagens de uma vida. Vou recordar com ela cada dia que passei, talvez com um maior ênfase àqueles em que nada acontecera. Era nesses que a velhice surgia, camuflada de brisa, de manhã, com o nevoeiro, e me deixava à noite, deixando-me sempre um grãozinho de si. Vou pensar em todos os anos que vivi, e tudo o que deixei por fazer. O tempo perdido, e o mal aproveitado. Vou olhar de novo para a rapariga cansada e já velhinha e vou chorar durante muito tempo. Vou-me tornar prisioneira das minhas lágrimas e sentir a falta daquela menina que sorria, e que era apenas uma criança. Tentarei abraçar a imagem do espelho com os braços, numa tentativa desesperada de fazer parar o tempo. Mas ela vai cair, estilhaçando-se em mil pedaços que não se vêem, mas que me cortam por dentro. Mais tarde, quando as lágrimas secarem, vou-me sentar no chão de pedra, derrotada, e vou esperar que a chuva pare de cair.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário