As mesmas lágrimas caem-me dos olhos e percorrem o meu rosto. E é sempre assim. Todos os dias, todas as manhãs, eu acordo e digo que vou mudar, que vou mudar tudo, que vou sorrir e esquecer, que vou seguir em frente.
Mas os meus olhos prendem-se naquilo que eu não quero ver, os meus ouvidos ouvem tudo aquilo que eu prometo não ouvir. E depois, depois é como sempre. No final do dia, quer eu queira quer não, sim estou sozinha. Sozinha com os pensamentos que me obscurecem a mente e as memórias que agridem o meu coração.
Todos os sonhos que eu quero alcançar, fogem de mim à medida que me tento aproximar deles.
Tento mentalizar-me que eu não sou nem nunca vou ser como aqueles que vejo à minha volta, mas é tão difícil.
Tão difícil aceitar as derrotas, mas mais difícil ainda é levantar-me e continuar. Porque há muita gente que não sabe o que é chorar uma lágrima amarga de desespero. E quando essa lágrima se multiplica, por duas, depois por quatro, depois por oito, depois já não se controla. E elas tomam conta de mim. Tomam uma forma abstracta, libertam-se da imagem da água salgada e mesmo quando não são visíveis por fora, elas estão sempre lá, nunca saem.
É algo que não se explica por palavras, são emoções demasiado complexas e desconhecidas.
Eu só queria um dia, um único dia, em que elas saíssem de mim, que dessem o seu lugar a confiança e felicidade. Eu só queria um dia, de gargalhadas sinceras, de liberdade total, de leveza.
Nesse dia, eu deixava tudo, voava, ia-me embora para nunca mais voltar.
Porquê, porque é que ninguém vê, ninguém sente, ninguém se apercebe? Estou tão cansada de fingir todos os dias que estou feliz, tão cansada que me obriguem a rir, quando eu não o quero fazer. Eu só queria perceber quem são as pessoas realmente, e o que posso esperar delas.
Eu gostava de acordar de manhã e não pensar que sou um fracasso. Gostava de ter esperanças para o dia que se aproxima, gostava de sentir-me bem.
Mas não sei como fazê-lo, e já tentei, a sério que sim,vezes e vezes sem conta, tantas que apesar de serem demasiadas, todas se revelaram inúteis.
Já não vejo esperanças, só penhascos, dos quais já não me aproximo, com medo de cair.
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